17 de janeiro de 2007

De mala feita...

Hoje estou…não propriamente triste, mas melancólica. Uma sensação que me penetra a alma e aprofunda este sentimento de nostalgia em relação ao que deixo em Lisboa e ao que será o futuro em Manchester. Ao fim e ao cabo, é aquela Sehnsucht de Novalis – saudade da realidade passada e ansiedade daquela que há-de vir – que me invade e transforma o estado de espírito destes últimos momentos aqui sozinha, em reflexão comigo mesma.

Saí de casa ao 18. Foi tão mais fácil, ou pelo menos assim me parece agora, na distância dos anos. Era uma aventura, até porque, na altura, tentei não pensar muito naquilo e limitei-me a fazer a mala e a deixar-me conduzir até à Capital. Ia à procura de um sonho. Um sonho ainda pouco claro, para completar ao sabor do tempo. E fui. Deixei-me ir, até porque a vontade de aprender era grande.
Lembro-me de chegar ao apartamento e olhar para a mala. Ali estava resumida a minha existência. Uma mala e eu. Um começo. Sem mais, deixei as lágrimas escorrem-me pelo rosto, para logo me recompor. Senti-me melhor, com forças para o recomeço de mais uma etapa. É que no choro limpo realmente a alma.
Nos quatro anos que se seguiram alguns sonhos foram realizados e outros idealizados.

Segui para a Alemanha em busca de outros. Desta vez não chorei, talvez porque sabia que voltava; talvez porque, lá bem no fundo, sabia que passados os anos de Universidade nada seria o mesmo de qualquer forma. Fui e voltei, com um sorriso nos lábios. Concretizei objectivos, trouxe sonhos novos.

Regressei a Lisboa. Era para ficar até ver…e fui vendo, aprendendo, conhecendo. Nos altos e baixos da vida, fiz amizades, adquiri conhecimentos, desenvolvi competências e pensei em permanecer neste percurso por mais algum tempo. Desta vez queria demorar-me. Passaram quatro anos e muita água rolou debaixo desta ponte. Muitos sonhos foram aí sonhados, muitas experiências realizadas.

Agora estou novamente de partida. É uma aventura. Não quero pensar muito nisso. Gostava de me limitar a fazer a mala e a deixar-me ir, mas hoje está particularmente difícil de o fazer, pelo menos com essa simplicidade…

Agora é novamente tempo de mudança. Há um novo caminho a percorrer. Vou ainda em passo miudinho, na descoberta do que me espera . Sigo em frente. Prefero não olhar para trás. As lágrimas de certo voltarão a aparecer, mas sei que neste caminho da vida voltarei a encontrar quem realmente interessa e então celebraremos o presente tal como brindaremos o futuro com outras aventuras. Do passado ficam momentos inesquecíveis que para sempre permanecerão na minha memória.

Vamos em frente!

2 comentários:

marta ré disse...

Segue em frente!!! Irás encontrar novos desafios e motivos para gargalhar!

Não te esqueças da vida...Do outro lado que vale a pena,e muito,ser vivido!! Este lado,o da partilha e dos passeios à beira mar,os sorrisos e lágrimas a dois,três,quatro corações.

Os livros acompanham-nos sempre e bebemos toda a magia que neles permanecem,mas é neste apanhar ar de frente que crescemos e sobrevivemos. Não te esqueças de ter momentos para ti...os mais valiosos!!

Um abraço singular para ti!

Força!

rddietrich disse...

Cris,
Moving abroad is HARD! It gets easier and Manchester will become home. It takes time for this to happen and it happens without our even knowing that it is. It's still early days. Don't lament Lisbon, embrace Manchester.
Beijinhos, Ramona