24 de março de 2007

Isto não é bem uma critica...é mais uma observação...

Enquanto espero pela minha de chegar ah caixa, chama-me ah atenção este titulo: Recebi uma banda gástrica no meu 15. aniversario. Eh este uns dos títulos principais de mais uma revista cor-de-rosa que esta semana chega ahs bancas. Chama-me ah atenção as letras gordas que anunciam tal noticia mais grave do que banal, como geralmente me tinha habituado nas ultimas semanas em que passo os olhos por tais publicações, enquanto placidamente aguardo a minha vez para cumprir a rotina do sábado de manha – chegar ao supermercado antes que o stock esgote e fazer as compras da semana.

Desfolho a revista ate encontrar o texto que procuro. Descubro uma adolescente. Uma rapariga de quinze que aparenta ter, pelo menos, 25 anos mal conservados. Nao se trata de uma pessoa famosa. Também não tem os problemas supérfluos de outras, que já não sabendo como chocar o povo, se reinventam diariamente na sua futilidade - Um mundo quase surreal, onde se festeja em vez de se trabalhar, onde se gasta no cabeleiro dois ordenados mínimos ou simplesmente se exibe a ossada como símbolo de beleza.
Esta eh uma pessoa com outro tipo de problemas. Nao se preocupa com os sapatos de 500 Usdlr, nem com a festa de amanha. Vive no mundo mais acessível para a maioria e por isso mais real. Principalmente aqui por estas bandas. Depois de há coisa de semanas ter sido noticiado o caso de um rapazito de 8 anos com quase 100 quilos, que estupidificou o país, esta noticia nem devia causar assim tanta admiração. A verdade, no entanto, é que continua a chocar(-me). Era este o grau de desenvolvimento que queríamos alcançar no século recem-iniciado? Ficarah a obesidade levada ao extremo registada como um dos símbolos principais da nossa era? Eh isto sinal de desenvolvimento e sucesso?
Nao propriamente, mas eh aos avanços da ciência que recorremos. E eh assim que esta entra em acção para salvar a situação. Oferece-se uma banda gástrica a uma miúda que tem problemas de manter o peso ideal ou levar uma vida minimamente saudável ... e o caso resolve-se. Ou assim se espera! E como a coisa eh anunciada, não tarda que tal presente passe a fazer parte das listas de natal e/ou de muitos aniversariantes .

Mas eh esta a solucao? Agora vamos por ai andar a oferecer bandas gástricas ahs pessoas, como se tivéssemos a oferecer um certificado para levantar um livro na fnac?

E o desporto? E as brincadeiras de rua depois das aulas? A bicicleta que só parava quando a noite substituía o dia? E uma alimentação mais saudável? E os pais onde estão para dar o exemplo?
...

Mas se pensarmos bem, hoje eh tão mais fácil chegar a este ponto. Levar uma vida saudável eh tão mais difícil, chato e por vezes impopular.
Nas minhas viagens diárias de autocarro, encontro-me regularmente com duas miudinhas de uniforme a caminho da escola. Eh raro o dia em que não vêm trincando, entre gargalhadas características da idade, um pacote de fritos, que, pela hora madrugadora, adivinho que seja parte do pequeno-almoço!

Ainda hoje, no supermercado, constatava que um quilo de ameixas (em promoção) estavam ao mesmo preço de uma tablete de 250g de Cadburry. Ora, para alem de ser muito mais fácil de carregar a mochila com a tablete, a fruta não é assim tão apetitosa em comparação com o chocolate e, diga-se de passagem, não eh nada, nada cool!

Bem e por hoje chega. Vou andando que lah em baixo esperam-me para (re)ver o chocolat! :)

1 comentário:

Nídia Nobre disse...

O mundo ainda um pouco estranho anda... ainda ontem ganhou o Dr. Salazar o prémio de melhor português (para mim, assim mesmo, com minúsculas). E nós é que somos a Geração Rasca... De lembrar que apenas somos frutos dos que já cá andavam e não nascemos ensinados...