20 de abril de 2007

The wonders of Technology

Ontem foi dia de por a conversa em dia e também de estabelecer ligação com os 3 países que fazem parte do minha existência. Todos eles deixam saudades. Todos eles me marcaram, e marcam, de forma diferente.

Filosofias ah parte e pragmatismo acima de tudo, estava mais do que na altura de planear mais um (re)encontro. Este terá lugar já em Junho. Embora não causado por uma onda de espontaneidade pura, mas mais por uma ocasião especial, o que interessa eh que em breve estaremos a rir uns com os outros outra vez. (E aqui fica resolvido parte do mistério ... a arte de rir - por tudo e por nada - eh uma tradição de família! )

Ja não me lembro da ultima vez que estivemos todos juntos. Mas recordo-me dos veroes de outrora. As ferias grandes, que eram normalmente alegradas com a chegada dos primos “estrangeiros”. A primeira coisa que se esperava era a transferência do saco de chocolates para este lado da fronteira - Milka und kinder Schokolade Bitte! Depois havia uns momentos de inibição, um distanciamento incomodativo, onde a vergonha de fazer o primeiro contacto roçava com o receio inicial de que o período que nos separara nos tivesse deixado pouco ah vontade ou sem assunto para começar um mês de brincadeiras hilariantes. Passados esses minutos de silencio, e enquanto os adultos, já ah mesa, saboreavam o presunto e outros petiscos religiosamente preparados para a ocasião – impressionante como a cultura e a socialização portuguesas giram em torno de uma mesa bem apetrechada – lah começávamos a engendrar as nossas travessuras. A Claudi e eu tornávamo-nos inseparáveis e bastava um olhar para sabermos o que a outra estava a pensar. Sempre fomos as mais travessas. O Dani, o mais pacato, era constantemente apanhado nas nossas artimanhas. Mas em geral dávamo-nos todos bem. Era um mês bem passado, entre frequentes idas ah praia, almoços e jantares de peixe grelhado, dia sim - dia sim, para ver se o Tio tirava a barriga da miséria e claro os doces, que durante esse mês abundavam lah por casa. O objectivo era fazer-nos enjoar, mas nunca foram capazes de atingir tal objectivo.

Depois chegava a semana em que o resto da malta, que passava o verão no norte do país, descia ateh ao sul. E ai era assistir ah mistura de sotaques que nos caracteriza. A pronuncia do norte era a que mais se destacava, embora a do Algarve a que mais abundava. Havia ainda um sotaque discreto alentejano que denunciava as origens de quem há muito havia partido para terras longínquas. Eram dias felizes aqueles, só abalados pela partida dos visitantes. Ateh para o ano. Era assim que nos despedíamos, enquanto eu esperava que os próximos 11 meses passassem a correr.

Crescemos e o verão deixou de ter a mesma magia. A amizade, essa manteve-se e fortaleceu-se. Apesar da distancia, estamos sempre lah uns para os outros - para o que der e vier. Foi essa uma das razoes pelas quais me decidi pelo estudo do alemão. (A outra não digo!)

Ontem unimo-nos uma vez mais. Virtualmente. Estavam espantados por aquela reunião inesperada que juntou três países e quatro casas que na verdade nunca estiveram separadas.

E eu ganhei um certificado de inteligência por tal façanha. Contudo, tenho a sensação que deve ter os seus dias contados... Pois basta descobrirem que uns quantos clicks e uma ligação de Internet escapatória eh tudo o que se precisa para que tal seja possível, para que perca o titulo. Mas também nunca ambicionei um.

Mal posso esperar por Junho!

Ja falta pouco.

1 comentário:

Nídia Nobre disse...

O verão tem sempre os seus encantos. E mais que o sol quente e a praia, o que esperamos sempre são os bons momentos passados na companhia da família que está longe de nós nos restantes 11 meses do ano.
Nunca mais é Julho! ;)